Ontem eu tava em casa botando as tripas pra fora de tanta fome e não tinha nada dentro da geladeira, é que eu joguei tudo no lixo, quando eu dei a louca e disse que ia emagrecer. Pra ser sincera tinha duas batatas, uma garrafa com água e outra com água de coco. Só que disso tudo eu já tinha enjoado (é que eu só vivo de batatas, queridos). Então lembrei que a umas quadras do prédio tem um minimercado. Me olhei no espelho e eu estava feinha como sempre. Mas eu nem estava me importando com isso, estava alguns quilinhos mais magra mesmo! -ri alto aqui- Eu estava com uma calça boyfriend folgadíssima, uma camisa que de tão comprima ia até embaixo do bum bum, mas a camisa era legal, era branca, gigante e tinha um desenho do Jerry florescente e enorme na frente. Eu ainda enfiei um tênis de skakista verde e coloquei um óculos estilo Wood Allen amarelo (detalhe, eram 18:30 da noite e não tinha nenhum vestígio de sol no céu), pra esconder as monstras olheiras que meus olhos abraçavam delicadamente. E pra completar o meu look from hell, como eu não queria ser percebida, coloquei um boné (reto) e deixei ele esconder bem o rosto (impossível não ser percebida assim, né?), enfim, fiquei parecendo um maconheiro-assaltante-mala-mal-elemento. Coloquei fones de ouvido, sai do apartamento, entrei no elevador, descí.
Passadas duas quadras escuto um "psiu", depois outros e outros "psius" (psiu tem plural?), aumentei o volume do ipod. Até que, chegando por trás, sinto uma mão no meu ombro e um som meio parecido com "ei pam!", e sim, era ele, com a mesma voz deliciosa e irresistível, impossivel não reconhecê-la. O Eric esta incrivelmente, chegando até a ser divinamente lindo. Estava na camisa que eu mais gosto, uma quadriculada de mangas compridas, um boné, uma calça boyfriend masculina e um tênis estilo ele, e um sorriso perfeitamente brilhante e bonito. E o cabelo dele estava do jeito que eu gostava. Ele falou alguma coisa e eu mandei ele falar mais alto porque eu não estava escutando, então ele tirou o fone de um dos meus ouvidos e disse:
E. - Eu tava.. -e parou- Nossa! Como você tá magra!
P. - Eu? Magra? (risinhos), onde estão seus óculos rapazinho?
E. - Tenho a vista perfeita mocinha! Então, onde você tá indo? -eu não conseguia parar de olhar fixamente o seu sorriso- Pâmella!
P. - Ahn? O quê?
E. - Você tá viajando Pam! Acho que é a magreza que tá mexendo com a sua cabeça... Onde você tá indo?
P. - Ah, eu tava indo ali, comprar ricota, ou qualquer coisa bem magra pra eu comer.
Ele perguntou o que eu tava ouvindo e eu respondi "Kate Nash", compartilhamos o fone e ele me acompanhou ate o mercado, e não me deixou comprar coisinhas magras, pegou uma pizza, uma coca-cola, uma caixinha de cookies de chocolate, um bombom e colocou dentro da minha cestinha dizendo "podemos ir?", eu briguei, resmunguei, mas ele enfiou o dedo dentro da minha boca e me ordenou ficar em silêncio. Voltamos, sentamos na frente do prédio, na calçada e ficamos comendo nossas porcariazinhas calóricas. Ele me contou que tinha voltado com a ex namorada e que estavam indo super bem. Eu senti ciúmes, mas é claro que senti! E ele percebeu! Mas eu fiquei felissíssima por ele. É bom vê-lo assim, ele não parecia mais o mesmo cara que me ligou a dois meses atrás, no meio da madrugada, dizendo que tinha terminado com ela e que não sabia se ainda me amava, ou se amava ela, ele chorou. Eu adoro ver ele assim, sorrindo, ele tem um sorriso lindo pra desperdiçá-lo com lágrimas. Nessa madrugada eu chinguei ele de "filho da puta, me deixa dormir! mas é claro que você gosta dela! vá agora mesmo atrás dela! se você, depois, descobrir que me ama, e não ela, eu ainda vou te amar. mas agora, me deixe dormir, porque amanhã tenho que acordar cinco horas da manhã!". Ele obedeceu, e deu tudo certo por fim. E eu fico feliz de ter mandado ele fazer a coisa certa. Eu amo o Eric, ah, como amo! Mas é amor de irmão, de amigo, de cúmplice. Ele me falou sobre como vai o curso da faculdade, e me disse que está bem. E isso basta, ele está bem.












