"A maioria das pessoas não quer ser de ninguém, mas querem que alguém seja delas. Beijar na boca é bom? Claro que é! Se manter sem compromisso, viver de amigos e baladas animadíssimas é legas? Evidente que sim. Mas por que reclamam depois? Nessa nova modalidade de relacionamento, ninguém pode se queixar de nada. Caso uma das partes se ausente durante uma semana, a outra deve fingir que nada aconteceu, afinal, não estão namorando. Aliás, quando foi que se estabeleceu que namoro é sinônimo de cobrança? Namorar é algo que vai muito além das cobranças. É cuidar do outro e ser cuidado por ele, é telefonar só para dizer bom dia, ter uma companhia para ir ao cinama de mãos dadas, transar por amor, ter alguém para fazer e receber cafuné, um colo para chorar, uma mão para enxugar lágrimas, enfim, 'é ter alguém para amar'. Já dizia o poeta que 'amar se aprende amando' e se seguirmos seu raciocínio, esbarraremos na lição que nos foi passada nas décadas passadas: relação é sinônimo de desilusão. Não precisamos amar sob os conceitos que nos foram passados. Somos livres para optarmos! E ser livrenão é beijar na boca de todo mundo e não der de ninguém. É ter coragem, ser autêntico e se permitir viver um sentimento. É arriscar, pagar para ver e correr atrás da felicidade. É doar e receber, é estar disponível de alma, para que as surpresas da vida possam aparecer. É compartilhar momentos de alegria e buscar tirar proveito até mesmo das coisas ruins. Ser de todo mundo é o mesmo que não ter ninguém também. E não ser livre para trocar e crescer. É estar fadado ao fracasso emocional e a tão temida solidão."
Arnaldo Jabor
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