quarta-feira, 17 de março de 2010

"(...) Pois de tudo fica um pouco
Fica um pouco de teu queixo
no queixo de tua filha.
De teu áspero silêncio
um pouco ficou, um pouco
nos muros zangados
nas folhas, mudas, que sobem.

Ficou um pouco de tudo
nos pires de porcelanas,
dragão partido, flor branca
ficou um pouco
de ruga na vossa testa, retrato.

(...) E de tudo fica um pouco.
Oh abre os vidros de loção
e abafa
o insuportável mau cheiro da memória."

(Resíduo, Carlos Drummond Andrade)

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